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Cher nasceu com o nome de Cherilyn Sarkisian em El Centro, Califórnia, em 20 de maio de 1946.[8] Seu pai, John Paul Sarkisian, era um refugiado armeno-americano que trabalhava como caminhoneiro, e sua mãe, Jackie Jean Crouch, que atendia pelo nome artístico de Georgia Holt, era uma aspirante a atriz e modelo de ascendência irlandesa, inglesa, alemã e cheroqui.[9] A relação dos pais de Cher era tempestuosa, como ela relembrou: "Eu [...] tinha dez meses de idade quando ela [sua mãe] deixou meu pai pela primeira vez e foi a Reno para um divórcio." O divórcio de Reno foi apenas o primeiro; eles se casaram e divorciaram mais duas vezes.[10] O terceiro de oito casamentos de sua mãe foi com o ator John Southnall, pai de sua meio-irmã, Georganne. Apesar do casamento ter durado apenas cinco anos, Cher o considera seu pai verdadeiro, e lembra-se dele como "um homem de boa índole que se tornava agressivo quando bebia demais". Eles se divorciaram quando Cher tinha nove anos de idade.[11]
Os vários casamentos e subsequentes divórcios de sua mãe criaram uma existência nômade para Cher e sua meio-irmã. Elas estavam constantemente de mudança e geralmente tinham pouco dinheiro. Em determinado momento, sua mãe foi forçada a colocá-la em um orfanato. Embora ela a visitasse todos os dias, foi uma época dolorosa para mãe e filha, como afirmou Georganne: "Minha mãe se lembra disso como a experiência mais traumática da vida dela".[11] Os membros da família de Cher tomaram conhecimento de sua criatividade em tenra idade, quando ela "produziu" para sua classe o musical Oklahoma!. O biógrafo Connie Berman conta que "Cher reuniu um grupo de garotas e dirigiu e criou as coreografias. Como não podia reunir garotos, ela atuou nos papéis masculinos e cantou suas canções. Mesmo nessa idade, ela já tinha uma voz grave."[12] Apesar dos tempos difíceis e da vida instável, Cher tinha uma ambição de infância: ser famosa, como ela comentaria anos mais tarde: "Eu não conseguia pensar em qualquer coisa que eu pudesse fazer... Eu não achava que seria uma cantora ou uma dançarina. Eu apenas achava que, bem, eu seria famosa. Esse era o meu objetivo."[13]
Em 1961, sua mãe se casou com o banqueiro Gilbert LaPiere, que a adotou e a matriculou na escola privada Montclair Prep, na próspera comunidade de Encino, em Los Angeles. Assim como ele, os pais da Montclair Prep tinham trabalhos muito bem remunerados e eram bem-sucedidos financeiramente. Um ambiente social tão diferente representou um desafio para Cher, e ela se destacou dos outros tanto por sua aparência exótica quanto por sua personalidade extrovertida, como relembrou uma ex-colega de classe: "Eu nunca vou esquecer de quando vi Cher pela primeira vez. Ela era muito especial. [...] Ela era exatamente como uma estrela de cinema. [...] Ela disse que seria uma estrela de cinema e nós sabíamos que ela seria."[13] Cher costumava entreter os outros estudantes durante a hora do lanche apresentando canções, e chocou alguns deles ao vestir roupas ousadas que mostravam seu umbigo. Nas aulas, Cher não estava entre os melhores estudantes, mas era conhecida por ser inteligente e criativa. Ela geralmente obtinha boas notas, indo bem em francês e inglês. Mais tarde, em idade adulta, Cher descobriria que sofre de dislexia, uma condição que limita a habilidade de leitura e escrita.[14]
Aos 16 anos, Cher abandonou a escola, deixou a casa da sua mãe e passou a morar com uma amiga em Los Angeles. Ela teve aulas de atuação e passou por vários empregos para se sustentar. Ela chegou a dançar em pequenos clubes na Sunset Strip, em Hollywood, e se apresentou para artistas, empresários e agentes.[15] Segundo o biógrafo Connie Berman, "A jovem não hesitava em se aproximar de qualquer um que ela achava que pudesse ajudá-la a [...] fazer um novo contato ou obter testes." Cher conheceu Sonny Bono no final de 1962. Sonny, que era 11 anos mais velho, trabalhava como assistente do produtor Phil Spector.[16] Cher, que estava morando sozinha após sua amiga se mudar do apartamento que dividiam, aceitou a oferta de Sonny para trabalhar em sua casa como governanta.[17] A relação dos dois rapidamente cresceu e eles se tornaram amigos inseparáveis, comprometeram-se e mais tarde casaram. Por meio de Sonny, Cher começou a trabalhar como cantora em 1963, e foi vocal de apoio em várias produções clássicas de Spector, incluindo "You've Lost That Loving Feeling", dos Righteous Brothers, e "Be My Baby", das Ronettes.[17] Sua primeira gravação solo foi o malsucedido single "Ringo, I Love You", lançado sob o pseudônimo de Bonnie Jo Mason.[18][19] Com Sonny escrevendo, criando os arranjos e produzindo as canções, a primeira encarnação musical de Cher e Sonny foi como a dupla "Caesar & Cleo". Eles receberam pouca atenção, apesar do lançamento dos singles "The Letter" e "Love Is Strange" em 1964.